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TDAH em Adultos

  • Foto do escritor: Clinica Médica e Neurológica Bernardo Felsenfeld
    Clinica Médica e Neurológica Bernardo Felsenfeld
  • 7 de ago. de 2023
  • 5 min de leitura


TDAH é uma sigla para Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, um distúrbio neuropsiquiátrico crônico que se caracteriza por desatenção, inquietude e impulsividade. Esses sinais devem obrigatoriamente manifestar-se na infância, mas podem perdurar por toda a vida, se não forem devidamente reconhecidos e tratados.

A dificuldade para manter o foco nas atividades propostas e a agitação motora que caracterizam a síndrome podem prejudicar o aproveitamento escolar e ser responsável por rótulos depreciativos nas crianças portadoras.

Em todas as faixas etárias, portadores do transtorno estão sujeitos a desenvolver comorbidades, isto é, a desenvolver simultaneamente distúrbios psiquiátricos, como ansiedade e depressão. Na adolescência, o risco mais visto é o uso abusivo do álcool e de outras drogas, em especial, as estimulantes, como a cocaína.

Trabalhos recentes mostram a ocorrência de alterações de neurotransmissores (em especial dopamina e noradrenalina) em vias inibitórias de neurônios na região frontal do cérebro envolvidos na manutenção da atenção e no controle da impulsividade.


🤔Quais os principais sintomas??

🤗Sintomas de desatenção: 👉dificuldade maior de concentração, de organizar atividades e de seguir instruções; 👉saltar de uma tarefa inacabada para outra, sem nunca terminar aquilo que começam; 👉distrair-se com facilidade; 👉esquecer tarefas ou onde colocaram seus pertences; 👉não conseguir prestar atenção em detalhes ou dividir a atenção em várias tarefas; 👉cometer erros por absoluto descuido e distração, o que pode prejudica o processo de aprendizagem e a atuação profissional.

🤯Sintomas de hiperatividade: 👉são pacientes inquietos, agitados e falam muito; 👉dificuldade em participar de atividades silenciosas ou mais sedentárias; 👉podem ser mais impulsivos, impacientes, agirem sem pensar; 👉dificuldade para ouvir os outros até o fim, precipitados ao falar; 👉intromissão em assuntos, conversas e atividades alheias;


Existem 3 formas diferentes de apresentação, são os subtipos do TDAH. 1. TDAH Predominantemente Desatento: Este tipo de TDAH é caracterizado principalmente pela desatenção e dificuldade em manter o foco. Pessoas com esse tipo muitas vezes têm dificuldade em seguir instruções detalhadas, organizar tarefas, evitar erros por descuido, realizar tarefas que exigem concentração prolongada e lembrar-se de detalhes do dia a dia. Elas podem parecer distraídas, esquecidas e desorganizadas, frequentemente perdendo objetos importantes e pulando de uma tarefa para outra sem terminar nada. 2. TDAH Predominantemente Hiperativo-Impulsivo: Neste tipo, os sintomas de hiperatividade e impulsividade são mais evidentes. As pessoas com esse tipo de TDAH têm dificuldade em ficar quietas, parecem estar sempre inquietas e têm um impulso constante de se mover. Elas também podem ter dificuldade em esperar sua vez, interrompendo frequentemente as conversas, respondendo antes que as perguntas sejam concluídas e agindo impulsivamente sem considerar as consequências. 3. TDAH Combinado: Este tipo de TDAH envolve uma combinação de sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Pessoas com TDAH combinado podem ter dificuldade em focar, manter a atenção, controlar impulsos e se acalmar.


Em adultos o TDAH também existe. Pessoas com déficit de atenção e hiperatividade muitas vezes passam a vida toda sem terem sido diagnosticadas. As queixas dos adultos são as mesmas das crianças: distração, dificuldade para concentrar-se, baixo rendimento no trabalho, impulsividade.

O TDAH jamais se inicia quando o indivíduo é adulto. Ao contrário, em cerca de metade dos casos, evolui com melhora dos sintomas, tanto que até alguns anos acreditava-se que desaparecia com o crescimento. Hoje se sabe que, apesar de reduzirem e a intensidade dos sintomas nos adolescentes e adultos, parte dos portadores continua com o problema por toda a vida e apresenta as dificuldades decorrentes do TDAH.

O primeiro passo do diagnóstico é levantar uma história ampla e tentar obter o máximo possível de dados sobre a infância da pessoa. É importante saber se, na escola, a professora reclamava de indisciplina, desorganização, apresentava tarefas mal feitas, o material escolar em desordem, bagunçado. Nem sempre é fácil conseguir tais informações. Às vezes, a própria pessoa não tem lembrança clara de como eram as coisas. Uma saída é recorrer a informantes que lhe sejam próximos, geralmente os pais.

De modo geral, os adultos com déficit de atenção e hiperatividade já desenvolveram técnicas para lidar com as dificuldades. Como sabem que são distraídos, anotam com cuidado os compromissos na agenda, criam hábitos como deixar os objetos sempre no mesmo lugar e estabelecem determinadas rotinas na vida.

O diagnóstico leva em conta também as queixas atuais: o trabalho que não rende; a dificuldade para leitura de um texto mais longo; dificuldade para concentração em tarefas cotidianas; o incômodo por ficar sentada numa reunião mais prolongada ou monótona; dificuldade para assistir a uma aula na faculdade ou num curso que exija concentração; esquecimento dos compromissos e de pagar as contas. Esse conjunto de dados suscita a possibilidade de se reconhecer um quadro de déficit de atenção e hiperatividade no adulto.

Mas antes de fechar o diagnóstico de TDAH, é sempre necessário uma avaliação pormenorizada com NEUROPSICOLÓGO para afastar outras doenças psiquiátricas e neurodegenerativas que possam justificar tais sintomas, como ansiedade e depressão.




O tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade varia de acordo a existência, ou não, de comorbidades ou de outras doenças associadas. Basicamente, consiste em psicoterapia, caminho eficaz para a recuperação da autoestima e para aprender a lidar com as dificuldades rotineiras, e na prescrição de Metilfenidato, a cada dia mais famosa RITALINA, um medicamento psicoestimulante que aumenta os níveis de noradrenalina e dopamina em vias cerebrais envolvidas na atenção e na impulsividade. Mais recentemente, a Lisdexamfentamina (VENVANSE) começou a ser usada também em pacientes portadores de TDAH.

Apesar de haver muito preconceito contra as drogas que tratam o TDAH, é preciso entender que elas são muitos eficazes. Entre 70% a 80% dos pacientes que utilizam os medicamentos têm sucesso no tratamento. 🤔No entanto, os maiores problemas relacionados ao uso de Ritalina estão no uso incorreto e no descuido no diagnóstico da doença. Parte-se de um senso comum de que se o indivíduo é inquieto, tem TDAH; se é distraído, também. Sem se utilizar os critérios diagnósticos (DSM-V) apropridados. Aí está o erro. Quando as análises são feitas erroneamente, o paciente passa a ser medicado com Ritalina, mesmo sem precisar. Uma medicação que não é isenta de riscos, podendo causar efeitos colaterais como dores de cabeça, diminuição do apetite, irritabilidade e insônia. Além do risco de agravamento de problemas neuropsiquiátricos mal diagnosticados como pânico/ansiedade, transtorno bipolar e até epilepsia.

Vemos nos últimos anos a explosão de vendas do medicamento. O Brasil já é o segundo maior consumidor de metilfenidato do mundo. Um aumento de vendas pode estar relacionado ao uso inapropriado do medicamento, especialmente nessa época de marotona de vestibulares, onde milhares de jovens sofrem a pressão de estudar para concursos públicos.

A medicalização acreditando numa pílula da inteligência como a solução de todos os problemas mascara essas diversas questões sociais. Portanto, o problema não pode ser resolvido somente com o uso de uma droga psicoestimulante. É preciso entender e atuar sobre o comportamento considerado fora do padrão, e também sobre o entorno familiar, que muitas vezes também está todo adoecido psicologicamente.

 
 
 

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Dr Bernardo Felsenfeld Jr - Neurologista Clínico

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